Dr. Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do serviço de endocrinologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

A Banda Gástrica Ajustável possui um conceito interessante. Em primeiro lugar podemos dizer que é, mas na verdade não é uma cirurgia, porque não se corta nada, a não ser pequenos “furinhos” para videolaparoscopia. Segundo: funciona, mas tem que haver multidisciplinaridade; tem de existir uma interação e um acompanhamento clínico para esse procedimento. Por exemplo, um país como a Austrália, tem 3 mil bandas porque o governo dá apoio, os convênios pagam, porque às vezes sai mais barato fazer a banda do que ter uma pessoa tentando vários remédios e que podem não funcionar também. Em alguns pode até funcionar, mas naqueles que não, o Estado investe uma fortuna em remédios. Então fica mais barato pagar a banda e é essa política que tem que ser disseminada.

Além da perda de peso, há cura da diabetes em 65% dos casos, cura da pressão alta, melhora nas gorduras no sangue e melhora a qualidade de vida. Fazemos experiências com a banda no HC e os resultados são animadores.


Dra. Siomara Tauil, endocrinologista

Sabemos que o aumento de peso gera uma série de outras patologias. Hoje, tratar da obesidade o mais cedo possível é a melhor forma de evitar que o paciente entre no grupo de risco. Por isso estamos continuamente buscando alternativas eficazes que combatam esse sério problema da população mundial.

Para os pacientes que já fizeram várias tentativas de emagrecer através de dietas e medicamentos, porém tiveram aumento de peso posterior à parada da medicação e não conseguiram aderir à atividade física e à mudança de hábitos alimentares, lançamos mão de outros procedimentos, realizados por profissionais cirúrgicos, que são as cirurgias bariátricas. Porém, antes disso ainda há outras opções menos invasivas, como o Orbera™.

Avaliamos uma série de exames e o estilo de vida da pessoa, baseados nisso tentamos ver a melhor opção para o paciente. Durante a consulta, além da parte médica, também temos que sentir o perfil psicológico da pessoa. Traçamos o perfil do paciente durante as consultas e analisamos do ponto de vista clínico, tudo isso para que seja feita a melhor escolha para ele.

Quando se chega à conclusão de colocar o dispositivo de silicone Orbera™, o paciente tem que ser acompanhado do ponto de vista nutricional e, após a colocação, ele precisa ser orientado continuamente através dos retornos com o clínico e o endocrinologista.

Com a conduta adequada e o acompanhamento da equipe profissional, ele vai ter a perda de peso esperada, de acordo com o que foi planejado no pré-operatório.

Após a retirada, existe um tratamento de manutenção contínuo, como deve ocorrer com quem tem hipertensão e precisa fazer um controle com o cardiologista. Quem tem obesidade tem obrigação de se controlar, aprender a se reeducar e mudar o estilo de vida.

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